domingo, 20 de março de 2011

Tempo para quê?

Eu já não sei escrever, não como antigamente. E isso é culpa do amor. Digamos que o amor é e é tanto que já não se sabe se existe. Porque quem ama ou que venha a amar, deixa teu verbo no intransitivo, pois não sairá ileso de lá. Dissídio ou fome de palavras vagabundas, dores de vida sem finalidade ou coerência. Porque quem escreve ou que venha a escrever, deixa teu verbo no infinitivo, pois não haverá consciência. Digamos que o amor é e é tanto que já achei graça no seu caminhar erradio. Porque agora que passou o verão, os cachos desceram para o pescoço e acariciaram a nuca, uma vez que o lápis beijou o chão. Já dizia um poeta não muito conhecido que, se você não tem tempo para ler, você também não tem tempo para escrever. Despeço-me, pois hoje eu só tenho tempo para amar.