Voltei a escrever

E se houvesse alguém a carregar uma flor, só houvesse um alguém e mais ninguém, que na nossa relação durasse mais e que não se magoasse por coisas triviais, que fosse verdadeiro e que a verdade, toda a verdade, apenas a verdade, nada menos que a verdade expusesse sem medo de retroceder. Percorreria a cidade na qual estou sem saber muito bem o porquê, apenas aprendi que certas contingências não são endereçadas e que, a partir de perguntas, não devemos esperar confidências planejadas. E se depois houvesse alguém que dissesse que não estamos preparados, e nos perguntaríamos se estaremos preparados para quê?, preparados para nascer e crescer e morrer?, preparados para viver, penso eu, juntos. E se eu fosse a única da família que teria vontade de caminhar a plenos pulmões, sem a preocupação de talvez escrever um testamento e voltar a escrever um texto coerente que há muito tempo não consigo, não porque não quero, mas porque não me vejo mais carregando uma flor. E se houvesse alguém, quem quer que fosse a segurar o caule sem espinhos e o atirasse cova rasa abaixo, esse não seria eu. Eu já estaria enterrada a sete palmos no chão.
* Fotografia: Lilya Corneli





6 Comentários:
Oi moça. Estive por aqui dando uma espiada bem legal. Gostei. Muito interessante. Continue escrevendo. Aparça por la. Abraços.
Vc pode por favor NUNCA parar de escrever? Obrigada.
Fantástico! Primeira coisa tua que leio e já sinto esse entusiasmo todo, essa vontade de te ler mais. Arrisco supor que não se trate apenas daquela paixão cega de primeiras impressões. É que me faz um bem danado encontrar gente que escreva dessa forma tão íntima de mim, a ponto de eu me sentir assim tão próximo... mesmo que seja pura pretensão minha.
Problema meu, se for.
Isso não tira seu mérito: escreve pra caralho. (:
Se foi o teu regresso, nunca devias ter parado, tens uma forma de escrever muito delicada, parabéns.
Quando volta a escrever novamente?
Parabéns
Muito bom, adorei... ótimo
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