quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Tão, tão fraca

Old Stone - Laura Marling. Clique e ouça.

Embora eu não lembre muito bem, sim, deve ter havido uma vez, sinto uma vaga lembrança chegando. Um único instante em que nos encontramos, claro que deve ter havido muitos outros momentos como esse, aqueles em que nos esbarramos na rua sem nem imaginar quem é o outro e sorrimos e nos desculpamos e seguimos em frente como se nada tivesse acontecido em nossas vidinhas tão, tão comuns. Todavia, deve ter havido um breve momento antes disso tudo, aquele em que nos encontrávamos tão vulneráveis, tão completamente abertos e receptivos para encontrar alguém.

E posso falar de nossa vulnerabilidade porque sei muito bem que você não me esperava em sua vida, mais ou menos como eu não poderia imaginar que você cairia de pára-quedas na minha. Nós não suspeitávamos do rumo que tudo poderia seguir e eu me lembro desse momento ignorante - santa ignorância - pois todo o tempo que tive sem você, eu lembro, eu consigo me lembrar, tudo antes de você aparecer é muito claro pra mim. Às vezes me pergunto como pudemos nos jogar assim em tudo aquilo que estava acontecendo sem precaução alguma, sem um backup, sem tecla Esc, sem hesitar nem um momento, sem nenhuma tentativa de resistir ao inevitável.

Não porque amar seja uma coisa terrível ou porque esperávamos ficar profundamente apaixonados a ponto de esquecer tudo e todos - Deus me livre! -, mas porque o amor é tão sem sentido e não esperávamos ficar marcados pro resto da vida. O resto, depois que pereci por ti, depois daquela primeira vez e logo após outras e muitas outras, o tempo conseguiu enterrar debaixo de várias camadas as lembranças e tudo começou a ficar confuso e nublado, tudo tão, tão difícil de recordar. Acredito que minha memória acabou se traumatizando, porque foi a primeira vez que a perdi e foi contigo. Por isso que hoje ela é assim tão, tão fraca. Medo de ser perdida novamente.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Procuradora


Não te procuro mais entre minhas mensagens secretas em redes sociais, entre meus baús empoeirados ou entre minhas pilhas de livros. Não te procuro mais para compartilhar uma piada, um sorriso, uma lembrança ou um abraço apertado. Não te procuro mais para trocar figurinhas, para falar sobre o tempo ou para massagear minhas costas. Não te procuro mais como companheiro, como irmão, como amigo ou como amante. E, cada vez que eu decido não te procurar, cada vez mais eu te encontro embrenhado nos momentos mais importantes da minha vida, escondido nos mínimos detalhes do meu dia-a-dia, tatuado em cada centímetro da minha pele ou morando em cada suspiro longo que sai do fundo do meu âmago. Não te procuro mais porque você pediu assim e agora não tenho mais o que procurar.

domingo, 27 de setembro de 2009

Par ou ímpar

Nunca se acostumou com o conceito de casal, quando está com ele, concentra-se em manter o corpo em pé, apesar da síncope que sempre insiste em desfalecê-la. Seu cérebro não mais respeita suas ordens e trata de mandar sinal para o corpo involuntariamente. Primeiro brinca com as pernas numa dança sem ritmo definido com tropeços a cada esquina. Depois aperta suas mãos ao redor do corpo, numa tentativa de proteção sufocante, mas, logo em seguida, mexe com a leveza dos braços, transformando-os em asas erguidas ao vento. Seus pulmões se apertam e dificultam a respiração, como se faltasse ar para oxigenar o sangue e facilitar o pensamento. Seus olhos ficam pesados e sua visão turva, ambos são mantidos fechados só para aguçar os outros sentidos que não tardam em falhar. Seu cérebro parece punir todos os outros órgãos e membros que são pares em seu corpo, só para que ela perceba que nessa vida nada consegue e ninguém deve ficar em número ímpar durante muito tempo.

* Fotografia: Lilya Corneli

sábado, 26 de setembro de 2009

Infinito inabitável

Infinito Particular - Marisa Monte. Clique e ouça.

Você possui um universo inteiro dentro de si mesmo que não deixa de ser intrigante. O seu próprio infinito particular repleto de labirintos, vielas estreitas e estradas sem fim. Todas as suas ideologias e pensamentos estão soltos pelas ruas, enquanto todos os seus preconceitos e tabus estão presos em calabouços esperando a libertação. O que me fascina é que não existe pecado ou virtude, céu ou inferno, muito menos certo ou errado. O que existem são escolhas: as suas, as minhas, mas, principalmente, as das outras pessoas. Tudo é levado em consideração, tudo é motivo para uma análise da situação. "There ain't no sin and there ain't no virtue, there is just stuff people do." Gosto de pensar que já fiz parte desses seus sonhos sem cabimento, tão suas essas vontades e anseios que, de tão reais e absurdas, acabaram se tornando minhas e que, juntos, conseguimos fazê-las caber em algum lugar. Quero que saiba que, independente do que pensem, digam, falem, é em você e somente você - local, mundo e homem - que eu desejo habitar e permanecer.

* Trecho de "Grapes of Wrath" do Jon Steinbeck

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Iosif Landau

Mantra

Não pense nele, não olhe a lua,
nem ouça o gorjeio do sabiá,
não suspire num jardim florido,
não acredite na magia do olhar,
na imortalidade das promessas,
a primavera não é eterna
Eros não é anjo,
Asphodel abre as pétalas em Hades,
assuma a posição do lótus e medite,
Karma, causa e efeito, ilusão e desejo,
nada tem a ver com isso,
Burroughs atirou na maçã, acertou a mulher,
chorou ao ser absolvido,
as esposas de Fábio Júnior são recicláveis,
Homer o cão de Ferlinghetti
com penis cativus em São Francisco
exemplo a ser seguido,
a poeta Mira Bai escreveu faz séculos
a la la, ho, a la la ho,
amor puro é comédia.

(Poema do Livro Preto & Branco, 2002. Iosif Landau.)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Tempo meu

Tempo Rei - Gilberto Gil. Clique e ouça.
01:23
São noites longas como essa - quando a madrugada começa mais cedo do que de costume - que eu me pego pensando na vida e nos anos de distância entre nós. Tua pele tornou-se meu abrigo, meu mapa para algum tesouro escondido. Todo cuidado para manusear-te é pouco.
02:57
Duração das horas, vento lá fora, frio aqui dentro. Preciso cerrar meus olhos e trancar as portas. Sentir-te aqui comigo, imaginar tua silhueta no colchão, teu formato e volume sob o edredon, tua cabeça nas minhas almofadas, tuas mãos nas minhas curvas. Saber que me acostumei contigo e saber que tenho que me desacostumar. Não dormir, deixar que o tempo faça o seu melhor.
03:11
Deixo ou não nosso tempo passar?
Que horas são?

04:44
Toda vez que olho para o telefone, penso em te ligar. Sem motivo, sem o que dizer, só para ouvir o tom grave da tua voz. Lembro do movimento dos teus olhos quando dormes, do teu cheiro de fruta-do-conde. A cada minuto que se arrasta, sinto uma vontade incontrolável de ir a teu encontro no meio da noite só para velar teu sono novamente. Creio que ainda posso te escrever uma carta.
06:09
O dia amanheceu, a noite foi mais longa do que de costume. Rasgo o papel que escrevi coisas sem sentido pensando em te entregar. Uma carta cheia de rasuras, uns desenhos absurdos e umas palavras soltas: minha forma, meu conteúdo, meu sol, minha lua, minha noite e meu dia. Minha intensidade, minha ternura-violenta, meu prazer, minha obediência-resoluta. Meu rei, meu pão, meu porém, minha vírgula, meu senão. Meu tudo, meu nada, nada meu. Seja meu.

domingo, 20 de setembro de 2009

Amoreiras

Relicário - Nando Reis e Cássia Eller. Clique e ouça.

Decidiram apreciar o nascer do sol juntos, motivo suficiente para estender a noite por mais algumas horas. "Por que está amanhecendo? Peço o contrário, ver o sol se pôr. Por que está amanhecendo? Se não vou beijar seus lábios quando você se for." Ela o guiou entre ruas confusas e pegou atalhos que a fizeram se perder do caminho principal. Todavia, em um golpe de sorte, conseguiram encontrar o local perfeito para estacionar: uma clareira arborizada de frente para a represa, uma rua sem saída, uma praça camuflada do resto da cidade. Pararam embaixo de uma amoreira cujos frutos ainda estavam verdes e, enquanto o dia amanhecia lentamente, o sol não quis tocar o espelho d'água para refletir seus raios. Haviam toques demais para um único dia dentro daquele carro. Foi assim que eles aprenderam que amoreiras não dão amoras e, sim, amores.

sábado, 19 de setembro de 2009

Signo

Warning Sign - Coldplay. Clique e ouça.
sig.no
s. m. 1. Astr. Cada uma das doze partes em que se divide o zodíaco e cada uma das constelações respectivas. 2. Lingüíst. Tudo aquilo que, sob certos aspectos e em alguma medida, substitui alguma coisa, representando-a para alguém. (...)
Quando acordei, depois de ter dormido por horas seguidas em um sono agitado como há tanto tempo não tinha, senti falta de algo. Meu corpo dolorido era o resultado natural do que houve anteriormente, cada um arca com as suas responsabilidades do jeito que pode, pensei. Logo, mantive a porta do quarto trancada, mesmo que esse ato infantil de isolamento não afaste nada de fato. O signo que estava enclausurado comigo no quarto à meia luz estampou o edredon xadrez acinzentado como um aviso em vermelho cintilante: o beijo. Condenei-me no exato momento em que almejei o seu beijo, ou terá sido naquele instante em que eu o recebi de surpresa em meus lábios sem nem sequer ter pedido? Tergiverso, terá sido o primeiro ou o último que sentenciou? Não sei bem ao certo, uma vez que o primeiro abriu espaço para uma sucessão de outros, entretanto, o último encerrou com uma despedida relutante e reticente. E foi sob o aviso desse signo, primeiro ou último, que eu selei meu próprio destino.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Diabo a quatro

Cabelos Longos - Alceu Valença. Clique e ouça.
Eu desconfio dos cabelos longos de sua cabeça
Se você deixou crescer de um ano pra cá
Eu desconfio dos cabelos longos

Eu desconfio de sua cabeça
Eu desconfio no sentido estrito
Eu desconfio no sentido lato

Eu desconfio dos cabelos longos
Eu desconfio é do diabo a quatro

Letra daqui.
Eu desconfio dos cabelos do topo da sua cabeça quando não posso trançar meus dedos neles. Eu desconfio do que você me disse ontem à noite e eu concordei. Eu desconfio das maluquices que passam pela sua mente criativa e eu incentivo. Eu desconfio das fases da Lua, do movimento dos planetas, do brilho do Sol. Eu desconfio do nosso amanhã, do nosso hoje, do nosso agora. Quando não existem certezas, minha desconfiança significa voltar algumas casas, juntar fôlego e correr para o salto à distância. Desconfiar é precaver em exagero. Eu desconfio de você e de mim também, pois essa é a forma que eu encontrei para me proteger do diabo a quatro.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Necessidades

Súcubo
Sabemos que a energia que existe entre nós é impossível de ser racionada. Está além da nossa compreensão e jamais deve ficar retida. Sabemos que, antes de nós existirmos, não havia a pausa, a hesitação e, muito menos, a restrição de nossas vontades. Sabemos disso tudo, mas saber não é necessário para persistir. Evitamos tocar no assunto, pois não existem respostas para as nossas perguntas. Evitamos entrar em contato um com o outro, afinal, encontramo-nos nas entrelinhas das coincidências. Evitamos falar demais, uma vez que a fala não é necessária para prosseguir.

Nomeamos nossos sentimentos, abusamos do neologismo, criamos um novo tipo de relacionamento. Nomeamos as feições alheias e os obstáculos que aparecem pelo caminho. Nomeamos porque isso não dá significado àquilo que construímos e também não é necessário dar nomes às coisas para continuar a fazê-las. Por fim, acreditamos. Seja em mim, em você, em nós. Acreditamos na esperança do mundo, na premeditação das atitudes, na força vital dos corpos. Acreditamos mesmo sem nenhum beijo trocado e mesmo com toda essa fome não saciada. E acreditar torna-se, enfim, uma das nossas necessidades.

* Imagem: Vital Connection de Manoli López

domingo, 13 de setembro de 2009

Ciúmes, ciúmes, ciúmes

Jealous Guy - John Lennon. Clique e ouça.

Observou atentamente a página cento-e-vinte-e-sete, colocou uma foto novinha em folha de uma mulher sorridente no meio do livro para marcá-lo e levantou-se devagar da poltrona. Montou sua mensuração de últimos livros com os dedos: suspense, tragédia, esperança infantil. Três, ótimo. Procurou um lugar na estante e viu a pilha em que a Bíblia Sagrada era alicerce, acima vinha uma enciclopédia Barsa, depois um atlas ultrapassado, um calendário ainda com todos os meses e no topo da torre havia um relógio cujos ponteiros não se mexiam mais. Empurrou o livro no canto esquerdo.

Desligou o abajur e se apoiou no batente da janela, mas não encostou nas grades de proteção, nem vislumbrou o céu repleto de estrelas, a cabeça tombava para baixo. Começou a fazer sua mensuração do dia: evangelhos, verbetes, xadrez, soneca na rede, trinta páginas do livro. Cinco, perfeito. Estava enjaulado ali e tinha a chave da sua prisão, porém não tinha ânimo para sair de casa. Velho dilema entre poder, querer e precisar. Ele não podia ter a mulher da foto, mas como ele a queria e como precisava de suas palavras agora.

Não conseguia imaginar o que ela estava fazendo, aonde estaria, com quem se divertia. Será que ela me esqueceu? Será que ainda pensa em mim? Será que sente falta da minha voz como eu sinto a dela? Fechou a janela de correr num baque surdo. Decidiu ir pro quarto arrastando os pés nas pantufas encardidas. Entretanto, antes de ranger os dentes e pousar a cabeça pesada no travesseiro macio, fez sua última mensuração da noite: ciúmes, ciúmes, ciúmes. Droga.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Meus poucos saberes:

I
Sei que, quando tu suplicas por paz,
estremeces mudo, pois, verdade seja dita,
em momento algum eu seria capaz
de fugir desse rótulo que tu evitas.

II
Sei que, quando tu sacias tua vontade por ora,
o mundo não pára para sequer escutá-lo.
Teus gemidos não estão sendo gravados agora,
mas tudo o que fazes não deixa de ser pecado.

III
Sei que, quando tu silencias um pensamento,
meu corpo sente tua falta em sobejo
e, por mais que seja deveras atrevimento,
busco em minha lembrança encontrar teu beijo.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Suicídio amoroso

Too Young To Die - Jamiroquai. Clique e ouça.

Não me venha pedir para que morras por ti, porque tu sabes que isto eu não faria. Somos muito jovens para sequer pensar em morrer. Tu já sabes que em ti, eu vi minha ressurreição ereta diversas vezes depois do gozo final e do último suspiro, isto já é uma prova de amor. E que em ti, eu desejo infinitas vezes habitar e colonizar e hastear minha bandeira, determinando, assim, meu território. Todavia, não posso afirmar que morreria por ti, pois não tenho controle de minha vida e jamais a tiraria neste ato mesquinho que é o suicídio amoroso. Não quero me encontrar com Deus, aliás, aprendi assistindo ao filme Constantine que, quem se mata vai pro inferno.

É lá que tu queres me encontrar? É lá que tu queres consumar nosso amor? Não é nenhum feito extraordinário encontrar seu Deus depois de tê-lo descoberto, feito seria perder a oportunidade de sequer conhecê-lo. E tu deverias ler Gonçalves Dias para que tu não me perguntes mais se se deve matar pela nossa reciprocidade e, sim, questionar-se se se morre ou não de amor. Porque se o amor que tu sentes por mim requer um ato de vida ou morte, tu deves parar de ler as tragédias de um certo Shakespeare e começar a ler os romances mamão-com-açúcar de José de Alencar.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Cadeira Cativa

Era uma vez uma cadeira esquecida pelo tempo. Seus adornos e curvas eram a expressão viva de sua delicadeza adormecida, já suas ferrugens representavam as feridas incuráveis causadas pela intempérie. Ela aguardava ansiosamente seu próximo dono, como alguém que deposita toda sua fé na espera de um novo amor que não tarda em chegar. Ela anseia por contato físico, deseja confortar uma pessoa e sentir, novamente, um corpo em cima do seu. Por ela passaram poetas com suas citações e métricas perfeitas; bêbados com suas marchinhas carnavalescas e suas bebidas fortes embrulhadas em sacos de papel amarrotado; palhaços com as mesmas piadas e truques sem graça; donzelas que não acharam seus príncipes e príncipes que procuram por suas donzelas. Por ela passaram juízes e suas leis, meninos com suas pipas coloridas, dançarinos com suas coreografias e hipocondríacos com suas doenças. Por ela passaram escritores com bloqueio mental, desenhistas com traços meticulosos, esotéricos e religiosos, malandros cheios de lábia e ciganas dissimuladas. Tudo já passou por essa cadeira, mas nada ficou.

* Fotografia: Cristina Carriconde.

domingo, 6 de setembro de 2009

Rubi

Rubi - Babasónicos. Clique e ouça.
Súcubo
"Conheço bem os tês e os quês da sua língua quente e dos seus olhos bífidos. Naja. Desfaço meus enes e cês bem perto do seu ouvido, do jeito que você goza, ri e xinga... Sibila. Bruxa. Invadindo sem tocar com os acordes graves dos meus ombros trêmulos, te encaro pixel por pixel, completamente depilados de vergonha por dez horas de vidas inteiras. E você geme pelo faz de conta de um rubi mal lapidado que acha que partilhou comigo e que na verdade perdeu pra mim sem perceber. Teimosa e leve. Tudo ao mesmo tempo e nada a declarar. Você é assim: minha onde tem que ser sua. Na maldição dos meus dedos ferinos que tingem como navalha essa sua pele tenra, me torno o primeiro a fechar seu sutiã e te tirar do colo mandando ficar quieta. E você obedece." por B.
Íncubo
Eu sei de cor cada fonema seu e reconheço cada sílaba que você faz questão de repetir paulatinamente, mesmo gaguejando às vezes. Sinto a língua subir e descer do céu da sua boca e o ar escapulir entre seus dentes ao pronunciar seus enes e cês compridos. Arrepio nas pausas prolongadas e enfeitiço sua respiração de propósito, só para ouvir você perder o fôlego. Das pedras preciosas que eu apostei naquela noite, somente o rubi ficou contigo. Roubado por suas mãos larápias de dentro de minha própria blusa. Malandro, minha confiança jamais seria conquistada por sua expressão corporal, foi sua voz que impôs a devida deferência muito antes de eu sequer cogitar encontrá-lo. É por isso que posso ser sua sem deixar de ser minha e é por isso que eu te obedeço veemente: porque eu te respeito.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Demônios

Estou inaugurando uma série de posts, organizados no sidebar ao lado, baseados na Lenda Medieval Ocidental que fala dos demônios Íncubo e do Súcubo que se encontram com os seres humanos enquanto estes dormem, com o objetivo de ter relações sexuais com eles e se divertir com seus corpos inertes. Eles usam a energia vital de suas vítimas como alimento, sendo que o Íncubo é o demônio masculino que visita as mulheres e o Súcubo é a versão feminina que vai atrás dos homens. Dessa maneira, os posts foram escritos sob a "influência" de um ou outro demônio e, algumas vezes, haverão posts em conjunto. Espero que apreciem sem moderação, pois são posts um tanto quanto instigantes. Quaisquer dúvidas ou idéias, por favor, não hesitem em entrar em contato. Obrigada pela atenção!