Solibar - Bar da Solidão
São 30 copos de chopp, são 30 homens sentados. 300 desejos presos, 30 mil sonhos frustrados. Sigo aqui meu caminho e digo pra quem quiser ouvir, hoje não tem mais arriba saia, muito menos o bole-bole há de vir. Agora que a poeira baixou não tem mais arrasta pé, não adianta mais calçar o tamanco, mulher. São 30 rosas de cheiro, são 30 morenas de canto. 300 olhares de desespero, 30 mil suspiros de desencanto. Esse meu peito murcho continua nessa trilha longa e teu cangote não me dá motivo para mais delonga. Por mais que essa vida seja sofrida, não quero mais procurar o conforto do teu chamego até o raiar do dia. Meu xote está por fim selado e eu tô ficando cada vez mais aperreado. São 30 corações sem dono, são 30 lágrimas de solidão. 300 pensamentos de abandono, 30 mil passos sem direção.







Em ruínas, mas ainda de pé. Sabes que foi bom aprender tudo isso contigo, foi bom aprender a colocar os pingos nos is e foi melhor ainda saber dar nome aos bois. Sigo em frente sabendo que existem sorrisos mais bonitos, olhos menos puxados e cabelos mais claros que os teus. Sei que posso dar mais risadas à toa, fumar de cigarros vários, beber de vinhos mais doces e ter sonhos mais gostosos. Posso usar mais cores de minha palheta sortida e desenhar mais desenhos incógnitos, posso deitar em outras redes e brincar com outras câmeras fotográficas senão a tua. Posso vestir outras camisetas masculinas e dormir em camas mais aconchegantes. Posso brigar com outro secador malcriado, acariciar outro cachorro malandro e conversar com outra sogra. Sei que pude, sei que fiz, sei que não esqueço. Porém você só soube me demolir, me rebaixar, me denegrir. Eu quero mais: beijos, abraços, conversas. E também quero menos: estresse, problemas e ilusão. Hoje você ainda consegue tirar mais e mais desse menos que você se tornou na minha vida.











