quinta-feira, 30 de abril de 2009

Superficialidade

A qualidade de ser superficial está sendo esbanjada hoje em dia. Todo mundo sai por aí na chamada curtição, ou seja, de bar em bar, de boca em boca. Tudo tão leviano, tão descartável. Eu ainda não consigo ver graça nisso, meu conceito de curtição é totalmente diferente. Eu gosto de mergulhar nas pessoas, de conhecê-las, de remexer na sua bagagem cultural e, é claro, de vida. Gosto de estar descobrindo sempre novidades boas ou ruins, a supresa tem um quê muito mais gostoso, pois que conhecer é fundamental, seja o sabor favorito de sorvete ou o país que gostaria de visitar nas férias. Afinal, isso é viver: é reunir ao decorrer dos anos, milhares de lembranças divididas por milhares de outras pessoas. Essa superficialidade exacerbada virou premissa básica para se viver nesse século, já percebeu? Coisa de doido, pois que acabamos perdendo nossa identidade fazendo isso e, pior, acabamos nunca conhecendo alguém realmente a fundo, não por medo de não gostar dela, mas sim por medo de acabar se apaixonando de verdade.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Neruda

Quero apenas cinco coisas:
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que

continues me olhando.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Preciosa pérola

Quero deixar registrado aqui os parabéns mais sinceros e queridos que eu poderia sequer escrever. Parabéns esses que representam não somente um Feliz Aniversário para uma pessoa próxima, mas as felicitações para ti que, acima de tudo e todos, és uma sobrevivente. Querida E*, tu és pra mim uma pérola das mais reluzentes. Sabes que as belíssimas pérolas são nada mais que o resultado de uma ferida curada. As ostras que possuem pérolas são as que tiveram o infortúnio de deixar uma substância estranha ou indesejável se instalar no interior de sua concha. Todavia, para se proteger daquilo que não está a fazendo bem - por ser rude ou áspero do tamanho de um grão de areia - o nácar age com suas células para cobri-lo e assim preservar o corpo e a vida daquele ser que só parece ser frágil, mas não é. Logo, tem-se a pérola. Nada mais, nada menos que uma jóia moldada a partir de camadas e camadas de proteção produzida por ela própria. "Ostra Feliz Não Faz Pérola" é um livro de Rubem Alves e o título me lembra que artistas completamente felizes não produzem pérolas de verdade, será mesmo? Cabe a ti responder esta pergunta. Lembre-se que tu és única e especial, independente do que aconteceu ou do que possa vir a acontecer. Eu desejo que mais e mais tu cresças com tua luz interior, iluminando todos ao seu redor e atraindo tudo o que a vida pode te trazer de melhor, assim tu acabas conquistando não somente tua bonita concha, mas o oceano inteiro.

Muitas felicidades pra ti.
De todo o meu coração,
Andi (Chili)

A base de tudo

Quando perguntada hoje à noite se eu estava amando, ridicularizei a pergunta tola, pois que quem me conhece sabe que eu escrevo assim há tanto tempo que nem 21 clichês conseguiriam dizer o quanto me dediquei a isso. As pessoas não conseguem engolir o fato de que eu escrevo pra mim, sobre o que bem entender e na hora que eu quiser. Não preciso de inspirações reais, não se esqueçam de que "o poeta é um fingidor". Meu amor é eterno, não precisa ter dono específico. Sou movida por ele e não me envergonho de dizer isso. Pra mim é a base de tudo e de todos os seres vivos. Por vezes, amei e desamei uma pessoa, porém nunca perdi a essência primordial da representação do amor em minha vida. De fato, não gosto nem de falar sobre o quanto eu amei de verdade - o que foi muito pouco -, justamente por saber identificar a banalização do amor em contrapartida ao amor banal do nosso dia-a-dia. Ou seja, não preciso estar amando para escrever sobre isso ou sobre qualquer outra coisa. Não é necessário conhecimento de causa para ser um bom escritor, como disse aqui, só preciso de espaço para meus dedos e cotovelos.

domingo, 26 de abril de 2009

Amor de sertanejo

Eu sabia que quando você levantasse os olhos eu não conseguiria enxergar seu longo olhar sob o chapéu de palha antigo, mas mesmo assim eu tentei disfarçadamente entender sua expressão sisuda. E sabia também, pois que de todas as coisas que poderia vislumbrar entre um feijão e outro recolhido, era que você jamais me olharia novamente, não daquele jeito. Eu poderia acreditar que você, ao tirar o chapéu e enxugar a testa suada, desviaria o olhar para o horizonte, onde eu não poderia mais buscar, isso estava claro pra mim, assim como o dia que nasce sempre ao leste. Nunca pude crer, todavia, em sua existência pacífica ao meu lado durante tanto tempo, seu toque sutil e educado em contrapartida aos seus beijos salgados e suas carícias voluptuosas em minhas curvas. Talvez insegurança, talvez vergonha de mim e meu vestido de tecido fino e desbotado, não sei bem ao certo. Naquela mesma tarde você partiu e deixou um bilhete mal escrito dizendo que me amava, mas que não voltaria para essas terras marcadas de areia e solidão. Eu voltei pra cozinha para terminar de catar meu feijão, onde era meu lugar. Não tinha direito ao amor, não naquela época, não por aquelas bandas de sol quente e alaranjado e, muito menos, não por você, querido sertanejo.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Encontros e desencontros

Engraçado, pois que quando o conheci eu nem reparei. Próxima vez que nos esbarramos, ele me cumprimentou com um grande sorriso. Sorriu-me e me deparei com aqueles pequenos dentes caninos pontiagudos. Descobri mais tarde que, assim como eu, sujava-se da cabeça aos pés quando fazia arte. Tinha uma cara de Luiz, mas chama-se Afonso. E continuamos nos esbarrando toda-santa-vez no mesmo bar, na mesma hora.

Quando decidimos combinar de nos encontrar, não deu certo. Só conseguíamos nos ver nas entrelinhas da coincidência cotidiana. Ficamos amigos desde então, daqueles que dão oi e tchau apressados. Descobri que lia pouco, mas tinha um gosto musical invejável. Parecia que nada era demasiadamente complicado ou difícil, tudo poderia ser resolvido. Tudo muito adaptável, flexível, dinâmico. Coisa alguma nos surpreendia mais, exceto a nossa identificação crescente. Nossos papos iam de salsa cubana a acid jazz, um cigarro atrás do outro, um filme do Tarantino, quiçá uma peça de teatro, tudo muito bem regado a Norteña.

Até que os desencontros começaram a se dar depois das 18h. Afazeres, correria, horários malucos. Essa era a São Paulo que conhecíamos, ali entre a Ipiranga e a Avenida São João. Logo, passamos a nos desconhecer. Passávamos um pelo outro e não nos recordávamos mais de nada. Voltamos ao estágio do oi e tchau. Volta e meia, sinto uns flashes daquela época em que podia fazer versos com o nome Afonso, penso em ligar, mas logo me desligo da idéia.

Lembro-me de que ele sempre me perguntava quando estava meio trôpego: "Que tipo de mulher teria coragem de amar um Afonso?" e dava gargalhadas lindas, inclinando a cabeça pra trás e mostrando os belos caninos pontudos. E eu ficava de canto, quase sorrindo, amando. Amando e rimando, Afonso, seu sonso.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Matemática rápida

Eu, Tu e Ele fomos comer no restaurante e no final a conta deu R$30,00. Fizemos o seguinte: cada um deu dez reais.

Eu: R$ 10,00
Tu: R$ 10,00
Ele: R$ 10,00

O garçom levou o dinheiro até o caixa e o dono do restaurante disse o seguinte: Esses três são clientes antigos do restaurante, então vou devolver R$ 5,00 para eles! E entregou ao garçom cinco notas de R$ 1,00. O garçom, muito esperto, fez o seguinte: pegou R$ 2,00 para ele e deu R$1,00 para cada um de nós. No final ficou assim:

Eu: R$ 10,00 (-R$1,00 que foi devolvido) = Eu gastei R$9,00.
Tu: R$ 10,00 -R$1,00 que foi devolvido) = Tu gastaste R$9,00.
Ele:R$ 10,00 (-R$1,00 que foi devolvido) = Ele gastou R$9,00.

Logo, se cada um de nós gastou R$ 9,00, o que nós três gastamos juntos,foi R$ 27,00. E se o garçom pegou R$2,00 para ele, temos:

Nós: R$27,00
Garçom: R$2,00
TOTAL: R$29,00

Pergunta-se: Onde foi parar a droga do outro R$1,00?

* Enviado pelo Departamento de Economia da PUC

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Estupidezes

Essa máquina de escrever estúpida. Maldita hora que troquei meu notebook por essa lata velha amassada. Quem disse que voltar aos velhos modos me renovariam a escrita? Pior, fico aqui sem acesso à internet, olhando por essa janela a cidade correndo lá fora. A ferrugem dos carros, a poeira na estrada, até as folhas secas que caem ao balançar dos galhos. Sinto-me como Neruda exilado à espera de um carteiro que me traga boas notícias sobre a família, os amigos ou sobre antigos amores. Agora, quando Maria passa com aquela cesta na cabeça e os cachos a saltitarem no balanço da ladeira, todo aquele seu rebolado no vestido de chita se perde a olhos nus. Ah, nessa hora minha máquina não pára de escrever estupidezes.

sábado, 18 de abril de 2009

1880

1.
sem saudade de você
sem saudade de mim
o passado passou enfim

2.
lembra o tempo
que você sentia
e sentir
era a forma mais sábia
de saber
e você nem sabia?

3.
já estou daquele jeito
que não tem mais conserto
ou levo você pra cama
ou desperto

Alice Ruiz

Oasis

Is it my imagination or have I finally found something worth living for? I was looking for some action but all I found was cigarettes and alcohol... You could wait for a lifetime to spend your days in the sunshine. You might as well do the white line cos when it comes on top... You gotta make it happen!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Vem cá, menina

Vem cá. Eu disse vem cá, menina linda. Chega mais perto, entrega-te. Joga-te em mim, apóia tua cabeça em meu ombro e derrama toda tua noite em lágrimas no meu colo. Esqueça de tudo o que te apaga as cores, o que te machuca, o que te confunde. Tudo isso não te pertence mais quando tu estás comigo. Aqui, junto de mim, tu estás segura. Aqui do meu ladinho, tu não tens mais o que temer, tua sofreguidão vai embora. Deixe de exigir tanto de si mesma e de se penar sobre a seca de Abril, pois saiba que sua dor tão doída de Lispector nada mais é que auto-projeção e Freud explica teu sofrimento. Tu és única e miúda, mulher faceira, de beleza enigmática e de fala comprida e mansa. Mostre-me seus dentes. Um de cada vez teu sorriso ilumina minha vida, enxugue esses teus olhos, tuas dores passarão ao meio-dia e eu, passarinho. Pondera esse teu olhar, sustenta essa tua leveza, põe tuas cartas na mesa, pois hoje eu vou te levar onde tu jamais foste e eu te quero aqui, com a cabeça em meu ombro. E o resto? O resto é pó, bobagem, maresia. Agora não, só quero teu silêncio e teus pensamentos guardados em meu colo. Põe aquela música que ouvimos mais cedo, aquela da Aretha, pois hoje a noite vai ser longa. Por isso, eu insisto e repito: vem pra cá, menina linda, transforma-te em mulher.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Depoimento

Sabe aqueles itens na estante que você não sabia que tinha, muito menos que existia? Que ficam lá empoeirados há anos e você só descobre sua utilidade quando resolve fazer uma limpeza? Ora, pois eu descobri o L* assim. Não que ele estivesse somente na minha estante, mas a poeira foi que me chamou a atenção, afinal, uma amizade tão valiosa como essa não deveria se extinguir. Logo, apressei-me a ler o manual de instruções: ele é movido à energia elétrica, complicado de mexer nos parafusos, hiperativo e insuportavelmente teimoso.

Da primeira vez que nos reencontramos, houve grande hesitação de ambas as partes. Já da primeira vez que ele pisou em casa fez questão de me embebedar e de queimar meu tapete e, como desfecho, ainda riu da minha cara irritada tentando limpar tudo no dia seguinte. Pois que o L* leu dos meus textos, riu das minhas piadas, ouviu das minhas músicas, comeu da minha comida. Entretanto, só nos encontramos umas duas ou três vezes em um ano inteiro e sempre nos despedimos com fogos de artifício e muitas metáforas. E eu sempre me vou prometendo nunca mais voltar e levando no peito toda-a-saudade-do-mundo no lugar do coração, que deixo sempre embrulhado no bolso de seu casaco.

Como poucos, é o tipo de pessoa que sabe como me fazer sentir menos sozinha e não ter que explicar sobre o que estou falando ou pensando. De acordo com o manual e ele mesmo, diz-se pessoa simples, mas isso é só despiste. Ultrapassa as expectativas para cima e, às vezes, para baixo e está sempre fugindo à regra. Peça fundamental em toda e qualquer festa e, apesar da inconstância, sabe-se ao certo que brilha como ouro, iluminando todos ao redor. Fico encantada por ter te reconhecido, de ter limpado a poeira e ter te lustrado, porém o que me deixa mais feliz é o fato de que eu te tirei da estante unicamente para te trazer para perto do coração.

Com carinho,
Andi

segunda-feira, 13 de abril de 2009

É minha.

Não adianta nem me abandonar
Porque mistério sempre há de pintar por aí
Pessoas até muito mais vão lhe amar
Até muito mais difíceis que eu prá você
Que eu, que dois, que dez, que dez milhões, todos iguais
Até que nem tanto esotérico assim
Se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais
Mistério sempre há de pintar por aí
Não adianta nem me abandonar (não adianta não)
Nem ficar tão apaixonada, que nada
Que não sabe nadar
Que morre afogada por mim

Esotérico - Gilberto Gil
Sim, essa música é minha. Desde que eu me entendo por gente eu a escuto e vira e mexe ela reaparece em minha vida para me colocar nos eixos. Se eu sou algo incompreensível, Gil, meu querido, pode acreditar que existe muito mais para se descobrir por aí...

Da fatalidade minha de cada dia nos dai hoje:

És inevitável e arredia. Incontrolável, tu não me deixas agarrá-la nunca. Como podes ser assim tão escorregadia? Pior, como fui eu acreditar que conseguiria te segurar? Tu simplesmente aconteces. Não há escapatória, jamais conseguirei fugir de ti. Tu fazes e pronto. Quero dizer-te que não me arrependo de tê-la em minha vida, todavia ainda me assusto quando tu me jogas na parede e me deixas sem saída. Fico me indagando se tu, assim tão bela mergulhada em tua sagacidade, podes encontrar em mim a idéia de um fantoche, pois que me perco em teus encantos e quando vejo já fiz não o que tu pediste, mas exigiste: entrega total. Tu queres, tu podes, tu consegues. Já eu, cabe a mim mesmo acatar a ti, santa fatalidade que comanda minha vida a ferro e plumas.

Easter eggs

domingo, 12 de abril de 2009

Visão romanceada

É como uma formação rochosa, uma ao lado da outra, emparelhadas em sua perfeição. Totalmente hipnotizante. Não há mais nenhum indício de que existe mais alguma coisa ao redor, somente aquele monte de pedras preciosas brilhantes que ofuscam meu pensamento. Eu perco o rumo da fala, estremeço em silêncio, beberico alguma coisa. Respiro fundo, tento jogar o cabelo, vertigem altamente delirante. Não tem saída, não há engano, sucumbi. Eu e essa minha visão romanceada da vida. Ainda cavarei minha própria cova desse jeito. Apaixonei-me por um sorriso e não foi por qualquer um não.

sábado, 11 de abril de 2009

Quatro em um milhão - Final

Um ônibus vinha descendo a rua em que Lisa se encontrava e quase a atropelou derrapando pela pista ainda molhada do orvalho matinal. Ela olha para o motorista ranzinza e decide pegar esse ônibus e começar vida nova em outra cidade, uma vez que nada ali a segurava: seu Adam, recém-adquirido amor, estava na cama com uma vulgar prostituta e ela não amava Rodrigo a ponto de voltar praquele apartamento sem futuro algum. Nesse mesmo instante, por sua vez, Rodrigo se entregava aos prantos mais sinceros de derrota e solidão, abandonado por quem ele mais amou na vida, sozinho nesse mundo cruel e violento.

Logo, o que se sucede é uma seqüência de fatos totalmente imagináveis e de nada felizes. Sem sucesso algum, Lisa sai da cidade vizinha e volta a morar com a mãe, transformando-se em uma solteirona amargurada da vida. Rodrigo não aguenta uma semana sem seu suposto amor e se suicida da cobertura do prédio em que moravam. Já Adam volta sempre à padaria todos os dias no mesmo horário em busca de seus sonhos e de Lisa, mas sempre se depara com Margarida, a atendente mentirosa. Assim, ele decide vender seu apartamento e comprar uma casa perto do hospital onde reside sua avó que acabaria falecendo depois de certo tempo.

Em suas cansativas incursões para a padaria, Adam começa um trivial romance com Margarida que acaba em casamento. Eles se mudam novamente para uma cidade vizinha e têm uma filha chamada Lisa. Uma história comum de quatros vidas em um milhão. Simples, batida, corriqueira. A vida como ela é.

Primeira parte aqui.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Deixa estar


Que música do los hermanos é você?

Será mesmo essa a minha?

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Aerosmith

Yeah, I know nobody knows
Where it comes and where it goes.
I know it's everybody's sin
You got to lose to know how to win...

Half my life's in books' written pages.
Live and learn from fools and from sages.
You know it's true,
All the things you do come back to you

Dream on - Aerosmith

Aluguel das Idéias

Cá estou eu desempregada reinventando uma profissão que - pelo menos ao meu ver - deveria ser a mais antiga de todas, o aluguel de cérebro. Estou me oferecendo para espremer idéias da minha massa encefálica em todos os aspectos. Essas minhas idéias aparecem de diversas formas e agora com essa inclusão digital, todo mundo vai ficar a par de tudo. Nessas idéias malucas minhas, religião não existe e não há preconceito de forma alguma. As pessoas só gritam e xingam por esporte e ninguém briga por mais de mil contos de réis.

Minhas idéias englobam a arte de pensar antes de cometer erros imperdoáveis e pintar o sete com todas as cores do arco-íris. Nessas idéias tão minhas, um poço deixa de ser um poço sem fundo e se transforma em piscina de canções para serem pescadas. Aliás, só existiriam boas músicas e bons filmes e boas séries e nada de televisão aberta. E os presentes viriam com embalagens para serem rasgadas e bilhetes para serem lidos. Minhas idéias conseguiriam trazer em um punhato de mãos somente poesia da boa e as pessoas acordariam de manhã ao som de "Hello Sunshine", tudo sem despertador barulhento.

Todos essas idéias seriam como leis, os abraços seriam mais gostosos, apertados e freqüentes, as pessoas diriam mais "obrigado", "por favor" e "fica em paz". E lá embaixo nas entrelinhas quase ilegíveis das leis das minhas idéias primordiais, estaria escrito que o "bom dia" deveria ser acompanhado de sorriso verdadeiro e o "boa noite" de um beijo e um eu te amo, que seria correspondido por um eu amo muito mais.

Twitter do Crackpot Ideas


Follow me, baby. Aqui.

21 Clichês

Hoje eu quero ser clichê. Quero enumerar a vida e as mudanças e, principalmente, levantar estatísticas, mas não quero dar explanação alguma. Pois aprendi com a primavera: a deixar-me cortar e voltar sempre inteira*, logo, passaram-se 21 primaveras. Dessas muitas, inventei-me 21 vezes em 21 talvezes. Ariana assumida, estive 21 vezes absolutamente errada e as outras 21 vezes só fui teimosa mesmo. Pulei 21 vezes de alegria e chorei 21 lágrimas de saudade. Colhi 21 romãs e guardei 21 quereres. Dei 21 conselhos absurdos e fiz 21 comentários enigmáticos. Recebi 21 buquês e tomei 21 banhos pra lavar a alma. Passei pela angústia de 21 feriados, praguejei o cupido 21 vezes, escrevi 21 textos sem pé-nem-cabeça e já conversei com 21 secretárias eletrônicas diferentes. Meus 21 pareceres estão na maioria das vezes confusos e também recebi 21 beijos de supresa. Já colecionei 21 brincadeiras, entre ímãs e piões. Mudei 21 vezes minha linha de pensamento e questionei 21 vezes a minha direção. Quero mais 21 sonhos, 21 gargalhadas e 21 abraços.

Posso muito bem ser repetitiva, justamente porque esse post é em comemoração às 21 vezes que passei fazendo 21 planos e chego nesse dia especial com 21 idéias e 21 links imperdíveis do passado do meu querido Crackpot Ideas. Se você se pergunta onde está o 21º link, eu logo o apresento, afinal eu não quero mais passar os próximos 21 anos sem você. Eu avisei que hoje eu seria clichê.

*Cecília Meireles

terça-feira, 7 de abril de 2009

Brincadeira de transcrição

- Há ainda outra, respondeu a moça com exaltação; outra menos egoísta, mas tão nobre como esta: a felicidade daqueles que se amam.
- Nos vos compreendo.
- Quando se sabe se pode ser uma causa de desgraça para aqueles que se estima, melhor é desatar o único laço que nos prende à vida do que vê-lo despedaçar-se. Não dizíeis que tendes medo de amar-me? Pois bem, agora sou eu que tenho medo de ser amada.

Álvaro não soube responder; estava numa terrível agitação; conhecia Isabel, e sabia que força tinham aquelas palavras ardentes que soltavam os lábios da moça. (...)

O Guarani - José de Alencar.
Pág. 157 - Escolhida por
Tassiana

Woody Allen

Maria Elena used to say that only unfulfilled love can be romantic...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Quatro em um milhão

Dia feio esse que surgiu no céu dessa cidade feia. Nela, dentre várias pessoas que corriam pra lá e pra cá com suas tarefas, havia quatro pessoas que farão parte dessa minha história. Adam, Margarida, Lisa, Rodrigo. Todos com destinos clichês escritos por quem quer que seja. Lisa acordou cedo e foi comprar pão e leite na padaria da rua da frente do prédio em que morava com Rodrigo, Adam morava no prédio ao lado deles e Margarida trabalhava na padaria. Dá-se o encontro às 06:25, Lisa esbarra em Adam derrubando uma porção de sonhos no chão. Nesse exato momento trocam longos olhares e imaginam um futuro juntos. Como se o cérebro não conseguisse acionar a fala junto ao pensamento, segue o diálogo confuso:

- Desculpe, não quis estragar seus sonhos.
- Que nada, estou acostumado a ver meus sonhos no chão. Aliás, minha avó está de cama muito doente, estou com algumas dívidas a pagar, possuo alergia a insetos, mexo muito no computador e sonho em encontrar meu verdadeiro amor em uma esquina, mas acredito que em uma padaria está de bom gosto.
- Bom, eu adoro recolher sonhos alheios do chão. Sou órfã, não gosto muito de doces, rôo as unhas, tenho preguiça de pentear o cabelo, adoro vestidos coloridos, cheiro de café me enjoa, mas acho impossível não tomar. Tenho o coração partido em mil pedacinhos e acho difícil eu me apaixonar novamente.

Depois dessas rápidas confissões, Lisa pagou seus pães e voltou de encontro a Rodrigo que a aguardava no prédio. Ao chegar, ele a pergunta onde diabos ela escondeu o leite. Ela senta ao lado dele na cama e diz que se apaixonou finalmente por alguém e que terá que deixá-lo pra sempre. Ela volta à padaria à procura de Adam e não o encontrando indaga à atendente chamada Margarida onde aquele moço de olhar penetrante mora. Margarida lhe passa o endreço errado e mente, desejando sorte à moçoila, pois também é apaixonada há anos por Adam e quer proteger o seu amado. Lisa toca a campainha de um apartamento e quem abre é Maria Fuleira, cortesã muito conhecida nas redondezas, desconcertada Lisa diz que foi engano e pára no meio da rua entre os prédios e a padaria. Sem rumo, sem direção, sem nem certeza do que se passou.

Continua...