1º Conto Vampiresco

Todavia, lá estava eu, exausto, com as pernas doendo e as costas me matando por alguma posição complicada que Susie me arranjou no Kama Sutra. Pedi um martini duplo, tirei os sapatos e encostei a poltrona para relaxar. Como disse, tudo muito comum, o avião levantou vôo, eu tirei uma soneca e já no meio da viagem, quando as luzes estavam apagadas e todos já haviam dormido, olhei para o lado e lá estava você com sua beleza não angelical, posto que você é uma vampira, mas com sua palidez encantadora. Será que seu corpo era tão gelado quanto o seu sorriso? Quando me preparei para confessar meu amor à primeira vista, o piloto deu instruções para todos apertarem os cintos e levantarem as poltronas.
O avião poderia cair, as turbulências aumentavam e as pessoas gritavam. As máscaras de oxigênio caíram e todos afobados rezavam, menos você. Relutante, observei pelo canto do olho o seu semblante e o fôlego me faltou, não pelo seu decote profundo, mas pela impassibilidade em seu olhar. Você não iria morrer mesmo, pelo menos não de novo. Não se alterou nem um pouco, acredito até que achou graça do desespero alheio, movendo seu cabelo loiro bem penteado, caído sobre o busto farto dentro daquele vestido vermelho apertado ao corpo. Foi por causa do meu medo de viajar de avião que toquei em sua mão pela primeira vez, mas foi meu amor por você que fez com que eu não a soltasse mais.












Íncubo 


