Assim mesmo
Talvez tudo tenha que ser assim mesmo. Tudo tão instável, tão incontrolável, tão devastador. Uma coisa nunca será uma coisa, haverá sempre um segundo ou terceiro ponto de vista. E você continua na busca frenética por aceitação ou por desejos e sonhos reprimidos. Chega a ponto de dizer que está completo. E está? Nós algum dia estaremos contentes e completos? Insatisfação crônica. É isso mesmo? Mudamos de acordo com a maré. A lua nos guia, nos molda, nos aproxima. Nós só buscamos o que não conseguimos alcançar, pois que, quando atingido, o objetivo se torna banal? Até quando há de se manter nesse ciclo? Saber o que quer é realmente preciso? Basta-se saber o que não quer? O que basta pra ti? Qual o seu limite? Talvez eu queira algo que ainda não existe, alguma coisa que ainda não foi criada, um lampejo de luz. Se eu soubesse o que eu quero de verdade, eu caía no mundo, sem medo, sem hesitação. Porém como descobrir se aquilo que se deseja vai ser desejado pra sempre? Como saber se em um breve período de tempo, o desejado não se tornará comum e gasto? Será sempre essa busca incansável por algo que quando chega deixa de ser tentador?
Sim, talvez tudo tenha que ser assim mesmo.















