Miragem de vapor
Eu deixava a televisão ligada para me fazer companhia quando você não estava por perto, mesmo tirando o volume, acho que o movimento e as cores davam essa sensação de aconchego. Um livro jazia em meu colo e eu ajeitava os travesseiros atrás das costas para me apoiar na cabeceira da cama. Quando me dei conta do cheiro masculino característico que me tomava as narinas e impregnava o quarto inteiro, já era tarde demais. Você estava saindo do banheiro ainda molhado - como eu queria ser aquelas gotas que escorriam e desciam entre seus músculos e pêlos - com uma toalha branca curta enrolada na cintura. Eu devo ter ficado alguns minutos te observando com a boca aberta, porque juro que fiquei sem saliva e, é claro, sem ar. Os óculos pendiam da ponta do nariz e arriscavam cair, levantei a armação até a testa para segurar a franja e coloquei o livro na mesinha ao lado da cama. Desliguei a televisão, deixei os travesseiros caírem e caminhei em sua direção, precisava tocar aquele corpo novamente. Todavia, você desapareceu como miragem que nunca pode ser alcançada, mas o cheiro de vapor da ducha quente ficou no ar a noite inteira me relembrando bons momentos que tivemos juntos naquele box. Por isso eu digo com todas as palavras: não tenha pressa, sinta vontade de ficar por aqui o tempo que quiser.




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