terça-feira, 2 de junho de 2009

Juramento para o Outono

Você é o meu outono e eu te irritei. Preguei uma peça no outono e ele revidou com o frio mais gelado, a noite mais solitária e o vento mais uivante. Você não chegou como uma estação qualquer do ano que devagar vai se acomodando e me envolvendo com uma brisa leve que toca minha pele me fazendo aconchegar em seus longos dias. Você chegou com voraz determinação de revolucionar a temperatura, de me fazer tirar do armário as roupas mais quentes e de tomar mais e mais vinho para aquecer o quê eu não sei, talvez o coração. Juro não te chatear com pergunta alguma se vai chover ou fazer sol ou se suas folhas secas podem ser guardadas dentro de algum caderno meu, juro jurar, apesar de não acreditar em juramento. E quando você se for e uma próxima estação chegar, suas folhas cairão devagar dentro de meus sapatos na beirada da varanda e eu poetizarei o momento dizendo que agora o meu outono resolveu caminhar comigo ou então que o outono não quer mais me deixar. Sim, você é meu outono.

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