terça-feira, 16 de junho de 2009

Quando a roleta parar:

Chegava na porta do Cassino e exibia seu vestido de gala mais bonito. Sentava de lado com uma postura impecável e observava todos aqueles números como quem decodifica um sodoku. Depois de algum tempo, deixava a indecisão de lado - juntamente com sua tentativa de expressão blasé - e apostava todas suas fichas em um único número. Seu sangue fervia e lhe corava a face, sua respiração ficava ofegante e fazia o busto saltar de seu decote e a saliva secava em sua boca trêmula. Será que dessa vez ela sairia milionária dali? Nada, como sempre. Tudo vai embora com a banca: sonhos, desejos, vontades. Estamos sempre apostando nossas fichas e criando expectativas, mas no final, a banca sempre ganha. Logo, saímos desiludidos e fracassados, sem fé em nada nem ninguém, sem forças para sequer pensar em apostar novamente. Voltamos pra casa sem esperança, juntando alguns trocados e criando coragem para que um dia, quem sabe, possamos voltar a apostar no número escolhido da vez. Eu aposto sempre no número quarenta-e-três com todas as minhas fichas e espero a roleta parar. Um dia eu quebro a banca.

5 Comentários:

# 16/6/09 12:37, OpenID meunonsense falou...

Eu entendi tudinho!!!!!! Gostei! Adoro conversar com você te te entender cada vez mais! =)
Beijos da Tassi

 
# 16/6/09 15:11, Blogger Fábio Vanzo falou...

Pior é quem nem joga, sabe, e fica ao redor da mesa, torcendo contra quem tem a coragem de apostar.

O Fortuna velut Luna statu variabilis.

Beijos!

 
# 16/6/09 21:00, Blogger Flor de Lótus falou...

.
eu já não tenho mais fichas para apostar
.

 
# 17/6/09 01:30, Anonymous Anônimo falou...

Não te conheço se não dos textos e do pouco que conversamos, mas arriscaria dizer que não está bem. Precisando de alguém ou de um SORRISO?

 
# 18/6/09 04:27, Blogger Andira Medeiros falou...

Acredito que uma roleta só é uma roleta quando tem um desafio válido, seja numa escrita diferente, seja em cores trocadas ou talvez em apostas impossíveis. Já os comentários eu só tenho a agradecer por serem tão roleta russa quanto meu texto.

 

Postar um comentário

<< Home