terça-feira, 3 de março de 2009

Bandeirante

Ele encontrou nela um continente inteiro divido por terras que nomeou por movimentos artísticos e muitos de seus pintores. Sua parte favorita era a área surrealista, onde suas entradas e curvas recebiam nomes característicos como Salvador Dalí, ali no canto tem Joan Miró, virando à direita vê-se Reneé Magritte e nas beiradas unidas ao centro encontra-se Frida Kahlo. Em seus membros, há de se notar os caminhos dos impressionistas, as cicatrizes de Renoir contracenando com as belas bailarinas de Degas, quando não obstante, observava-se os cachos claros de Monet ao vento. E mesmo nas partes mais distantes e extremas daquele continente inabitável, estaria marcado o lado dos expressionistas, sorrisos lúcidos ou não de Van Gogh, fobias e limitações de Munch e, principalmente, cores deliciosas de Paul Klee. Era um vasto continente dourado de percepções e vontades, graças e balanço, e ele amava admirá-lo e nomeá-lo a cada nova descoberta. Tatear. Caçar. Desbravar. E o fazia não porque era preciso delimitar o corpo da amada como um amálgama de obras de artes, mas porque agia como um bandeirante desbravador e o fazia muito bem. Muito bem.

1 Comentários:

# 17/6/09 14:55, Blogger Fábio Vanzo falou...

Ofereço-te girassóis vangoghianos sob um céu vermelho-münch. Depois rodopiar degasiando até tudo parecer uma gernica em cores meio monet. Ou, se preferir, um vestido colorido-gaughin num vale cézannesco sob a noite estreladamente vanghogh com um sopro de primavera-botticeli.

 

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