Cadê
Joga tudo pra cima, esquece quem tu és. Troque os pés pelas mãos, diga barbaridades, cave o mais fundo que puder. Quando seu rosto estiver petrificado, quando sentir os caminhos de lágrimas escuras se ressecarem, quando observar as unhas sujas de terra, quando sentir cada pedaço pífio seu se desmoronar a olhos nus, saberás que estás sozinha. Quando não descobrires que face é aquela estampada na poça, vais saber que estás perdida. E quando isso acontecer, vais sentir a maior dor que existe: a do vazio. E como dói. Uma dor que vem não sei de onde e dói não sei porquê. Uma lacuna há muito não preenchida, falta de alicerces, de suportes, de muletas. Parafraseando Esquadros da Calcanhotto: eu escrevo para quem? Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê? Minha alegria, meu cansaço? Meu amor, cadê você? Eu acordei... e como sempre, não tem ninguém ao lado.*Mulher com gravata preta - Modigliani
(as mulheres em seus quadros estão a contemplar mesmo sem ter olhos)
(as mulheres em seus quadros estão a contemplar mesmo sem ter olhos)





1 Comentários:
Quando fugimos de nós mesmos, o bicho nos procura e acha, mesmo que ele seja o vazio.
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