Quando
When I Close My Eyes - Natacha Atlas.Clique e ouça.
Quando a chuva cai, mesmo que seja por poucos segundos antes, há de se sentir seu aroma, quiçá um vento característico de precipitação. Quando haverá uma explosão vulcânica, há de se sentir o chão tremer e de se admirar a fumaça produzida pelas labaredas loucas para se soltarem das profundezas. Quando a lua sobe, quando o sol desce, quando a maré muda, quando o outono chega, para tudo isso há de se prever, há de se sentir, há de se esperar, pois a natureza soube manter seus planos, suas idéias, suas formas e seus valores, por mais corrompida que tenha sido pelo homem.
Quando digo que te espero ou que te quero, tu não podes confiar na organização e na responsabilidade sistemática da natureza. Ora, pois pessoas não seguem direções únicas ou princípios e ideologias práticas. Talvez me faça de vítima por não acreditar que seja possível ser tão inconstante a ponto de não confiar na própria decisão - ou na própria sombra, alguns dizem. Bate-se de súbito aquela vontade inesperada e tão natural de inquietude e formigamento dos músculos. Um chamado de longe, um desejo contido.
Quando há de se apaixonar sem se saber o porquê, não tem como adivinhar, não está no noticiário das oito, não é nada previsível. Acontece de repente, como uma situação trivial como espirrar ou dar risada de um tombo na rua - talvez a sensação seja a mesma. De repente o lado pessoal é ultrapassado pelas forças internas do ser humano, não há natureza que segure, não há ciência que preveja, não há barreira que impeça de acontecer quando tudo acontece de repente, não mais que de repente.





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