domingo, 22 de junho de 2008

A Caneta Bic - Parte I

A estação do ano mudou para inverno há dias e ela mal sabia. Estava com aquela sensação de frio há tanto tempo que quando ele assoprou aquelas palavras flutuantes como flocos de neve em seu ouvido e arrepiou sua nuca, ela não soube ao certo dizer o que sentia. Um misto de prazer e agonia, liberdade e prisão, mel e limão. Nesse paradoxo, ela resolveu se levantar e enfrentou o vento gelado, trocou-se de roupa e foi ver como estava o dia na sacada do chalé. Ele - quem seria ele naquele momento? - ficara deitado na cama macia, de lençóis brancos e edredon pesado.

Desceu as escadas e foi preparar um café forte, daqueles que esquentam a alma. Quantas colheres de pó? Não sabia, foi num ato instintivo que ela preparou o melhor café forte que já tomara. Pegou uma caneca grande e preencheu até a metade de café fervendo. A fumacinha quente de vapor batia de encontro com o ar frio que ela soltava quando respirava e formava um nevoeiro confuso e denso. Tinha milhares de pensamentos e visões. A mente não parava, mil voltas. Sentou-se à mesa de frente para a janela, perdia seus olhos no horizonte. Deu um último gole, derramando uma única gota pela lateral da caneca e a posicionou em cima da toalha branca que absorveu o café e desenhou alguma imagem abstrata.

Chegara a hora. Não havia mais escolha. Apesar de relutante ela pegou a caneta e uma folha de papel e começou a redigir a carta mais triste e as palavras mais sinceras que já saíram de uma caneta bic...

Continua...

1 Comentários:

# 26/6/08 11:22, Blogger Mandi falou...

vou acompanhar...hihi

 

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