Traição
- Amor, estou tendo um caso.
- Como assim?
- Estou te traindo com outra.
- Você perdeu o juízo?
- Ela me preenche com algo que você nunca conseguirá me preencher. Ela tem milhares de ideias e escolhe a palavra exata para me fazer ficar mais e mais com os olhos colados em seu corpo. Ela consegue me intimidar e me acariciar ao mesmo tempo, transforma meus dias e noites em horas inúteis, um passatempo delicioso. Eu me sinto um novo homem, posso ser quem eu quiser e ela entenderá. Ela não me julga, não me pede para mudar, não enche meu saco. Muito pelo contrário, ela me incentiva a ser melhor, a questionar e a buscar o que realmente importa dentro de mim mesmo.
- Mas quem é essa mulher-toda-poderosa?
- Só vim lhe contar sobre essa traição quando vi que ela estava começando a te seduzir discretamente por ciúmes e posse.
- Mas eu não sou lésbica.
- Ela consegue seduzir qualquer um com suas artimanhas, quando você vê, ela já está toda aberta nas suas mãos para você fazer o que quiser com seu corpo. Ela pode te deixar lúcida e te enlouquecer na mesma frase, um misto de tesão e temor.
- Meu Deus, quem é essa que você se apaixonou tão rapidamente?
- É a literatura. Estou tendo um caso com a literatura, essa safada.
Além desse diálogo insone, ando tendo ótimas conversas noite afora.
Mais papos sobre Olás, sobre a escolha de nossa Direção, sobre nossa Conversa de Botas Batidas, sobre o Moulin Rouge, sobre a Síndrome de Polvo e sobre Dragões. Basta clicar e ler.




Comecei esse post em 2009 e ainda não consegui terminar. Não por não saber o que escrever, mas por me sentir repetitiva. Talvez ele nunca tenha um final verdadeiro. Esse ano veio para me mostrar que as coisas não são como deveriam ser. Nada está escrito em pedra, intuições não são definitivas e sonhos são mensagens abertas a interpretação. Sinto como se tivesse vivido décadas em um só ano, do tanto que eu vi, vivi, chorei, senti e sofri. Todavia, posso afirmar com convicção que eu aprendi. Penei, é claro, mas aprendi a lição. 
Na maioria das vezes, você não tem escolha. Você acha que sabe o quer da vida, mas no final, é a vida que te escolhe. Aquele sujeito que você amou durante a noite prefere te esquecer durante a manhã. Cada pessoa deve escolher o que quer e não esperar um dia ser escolhida. 

Assim como o amor de verão, o de outono passa a cada três/quatro meses. Não fica nada por se fazer e não há nada que possa ser feito. Seu término é iminente. Deixa lacunas que se renovam a cada mudança de estação, e esperanças de que na próxima tudo seja diferente. Não foi feito para durar e, se fosse, perderia todo o significado de sua sazonalidade. Há de se conformar e aceitar o fato de que passou e ponto final. Lembre-se de que manter souvenir dessa época fará com que você se relembre da efemeridade do amor a cada instante de saudade, mas isso é um risco que vale a pena correr.
Acabo de chegar. Vim lhe apresentar uma possibilidade de compra única. Trouxe aqui comigo essa oportunidade irrecusável de amar sem ter que esperar e de poder encontrar nas palavras uma cumplicidade sem igual. É tarde, eu sei, mas vim assim que soube que precisavam dos meus produtos por essas bandas. Não me pergunte quem solicitou minha presença, basta saber que aqui estou ao seu dispor. Escondo em minhas mangas alguns truques batidos, mas 











